GOVERNO LANÇA FASE COM DESCONTOS DE ATÉ 90% E USO DO FGTS
FINANÇAS
5/6/20263 min read


Em um movimento estratégico para aquecer o consumo e aliviar o bolso das famílias, o Governo Federal lançou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil. A Medida Provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expande o programa de renegociação de dívidas, permitindo condições agressivas para a recuperação de crédito de milhões de brasileiros.
O Alívio no Orçamento
O grande destaque da nova fase é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do FGTS (ou o valor fixo de R$ 1.000, o que for maior) para abater o saldo devedor. O programa mira dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, focando especialmente em:
Cartão de crédito;
Cheque especial;
Crédito pessoal (CDC).
A iniciativa ocorre em um momento crucial, já que o mercado financeiro acaba de elevar, pela oitava semana consecutiva, a projeção da inflação (IPCA) para 4,89% em 2026, conforme aponta o Boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central. A nova fase do programa não é apenas uma repetição das anteriores. Desta vez, o governo incluiu uma cláusula de "Garantia de Juro Real Negativo" para quem optar pelo parcelamento em até 60 vezes via bancos públicos.
Público-Alvo: Pessoas com renda de até 3 salários mínimos ou inscritas no CadÚnico.
Novidade no FGTS: A autorização para o uso do FGTS como garantia ou amortização direta é vista como uma faca de dois gumes. Economistas alertam que, embora limpe o nome, o trabalhador reduz sua reserva de emergência para casos de demissão.
Descontos: A média de abatimento esperada é de 83%, chegando a 90% em dívidas com mais de 3 anos de atraso.
MERCADO FINANCEIRO: JUROS ALTOS E RENDA FIXA "TURBINADA"
Enquanto o governo tenta limpar o nome do consumidor, o mercado de capitais reage ao cenário de incerteza global. A tensão no Oriente Médio tem pressionado os preços do petróleo, refletindo diretamente nas expectativas de juros no Brasil.
Destaques do Pregão de Hoje:
Selic no Horizonte: Com a pressão inflacionária, analistas já projetam a taxa Selic encerrando o ano em 13%, o que mantém o custo do crédito elevado para as empresas.
Oportunidade no Tesouro Direto: Pela primeira vez em meses, títulos como o Tesouro Prefixado 2037 voltaram a oferecer rentabilidades acima de 14% ao ano.
Dólar: A moeda americana opera em estabilidade, cotada próxima aos R$ 5,25, servindo de termômetro para os custos de importação e combustíveis.
O QUE ISSO MUDA PARA VOCÊ?
Para o cidadão comum, o cenário é de cautela e oportunidade. Para quem está endividado, a janela de 90 dias do Novo Desenrola é a melhor chance de "limpar o nome" com juros reduzidos (máximo de 1,99% ao mês). Para quem tem reservas financeiras, a alta das taxas do Tesouro Direto sinaliza um momento excelente para travar rendimentos elevados na renda fixa.
"O foco agora é a organização. Com a inflação subindo, o poder de compra diminui, e usar o Desenrola para sair dos juros abusivos do cartão é uma medida de sobrevivência financeira", afirma um analista do mercado consultado pela reportagem.
Análise do Especialista
Para o economista-chefe da consultoria MacroTendência, Dr. Ricardo Mendes, o momento exige "pé no chão".
"Estamos vivendo um paradoxo. O governo injeta liquidez ao permitir o uso do FGTS e renegociar dívidas, o que estimula o consumo. Por outro lado, o Banco Central precisa retirar essa liquidez subindo os juros para controlar a inflação. O investidor pessoa física deve focar em ativos protegidos pela inflação (IPCA+) para garantir que seu patrimônio não seja corroído nos próximos 24 meses."
O que esperar para os próximos meses?
O mercado aguarda agora a divulgação do IPCA de abril, que sairá na próxima semana. Se o número vier acima de 0,60%, as chances de uma redução na Selic ainda este ano se tornam praticamente nulas, consolidando 2026 como o "ano da renda fixa" e do ajuste de contas para o consumidor brasileiro.
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