NVIDIA (NVDA): A Empresa que Virou o Centro do Mundo da Inteligência Artificial

FINANÇAS

5/14/20267 min ler

Fundada em 1993, a NVIDIA deu os primeiros passos no então emergente mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs) para computadores pessoais. Hoje, porém, a empresa vai muito além dos jogos: tornou-se a espinha dorsal da revolução da inteligência artificial.

Importante: esta reportagem é informativa e não constitui recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão, consulte um assessor financeiro e avalie seu perfil de risco. O mercado de ações, especialmente em ações de alto crescimento como a NVIDIA, envolve riscos significativos de perda.

O que é a NVIDIA?

Sediada em Santa Clara, Califórnia, a NVIDIA é a fornecedora dominante de GPUs de alto desempenho no mundo, com 92% de participação no segmento de gráficos discretos em 2025. Ao contrário das CPUs de uso geral, as GPUs são projetadas para acelerar aplicações com alto uso gráfico — como jogos, edição e renderização 3D — além de aplicações de inteligência artificial e aprendizado de máquina. A empresa investiu mais de US$ 76,7 bilhões em pesquisa e desenvolvimento desde sua fundação. Sua invenção da GPU em 1999 impulsionou o crescimento do mercado de games para PC e redefiniu os gráficos computacionais. Com a introdução do CUDA em 2006, a NVIDIA abriu as capacidades de processamento paralelo da GPU para uma vasta gama de aplicações computacionalmente intensivas, pavimentando o caminho para o surgimento da IA moderna. Em 2012, as capacidades de deep learning da NVIDIA foram demonstradas com clareza, em um momento considerado o "big bang" da IA moderna. Desde então, a trajetória da empresa foi de crescimento exponencial.

Da GPU ao Coração da IA: Como a NVIDIA se Tornou Indispensável

O grande segredo da NVIDIA não é apenas o hardware — é o ecossistema de software que o cerca. Lançado em 2006, o CUDA ajuda os desenvolvedores a utilizarem os muitos núcleos de uma GPU da NVIDIA. Isso se mostrou essencial para acelerar tarefas de computação altamente paralelizadas, incluindo a IA generativa moderna. O sucesso da NVIDIA em construir o ecossistema CUDA torna seu hardware o caminho de menor resistência para o desenvolvimento de IA. Hoje, a NVIDIA é fabricante do elemento-chave necessário para as tarefas de IA mais cruciais: o chip para treinamento e inferência de grandes modelos de linguagem. Outras empresas também fabricam chips de IA, mas as GPUs da NVIDIA oferecem o maior desempenho, tornando-as as mais procuradas do mercado. Em 2025, a NVIDIA firmou uma parceria estratégica com a OpenAI, comprometendo US$ 100 bilhões em investimento, com a OpenAI usando chips e sistemas da NVIDIA em novos data centers. Em janeiro de 2026, a empresa lançou o Earth-2, um serviço de previsão do tempo baseado em IA. Em março de 2026, anunciou um investimento de US$ 2 bilhões na empresa de nuvem de IA Nebius.

Os Números que Impressionam: Resultados Financeiros

Os resultados financeiros da NVIDIA são, de longe, o que mais surpreende analistas e investidores:

A NVIDIA gerou US$ 215,9 bilhões em receita total durante o ano fiscal de 2026 (encerrado em 25 de janeiro), um aumento de 65% em relação ao ano anterior. O segmento de data center sozinho respondeu por US$ 193,7 bilhões dessa receita, o que enfatiza a importância das vendas de GPUs para a empresa. No quarto trimestre do ano fiscal de 2026, reportado em 25 de fevereiro de 2026, a receita foi de US$ 68,13 bilhões, alta de 73,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, com LPA não-GAAP de US$ 1,62, superando o consenso de US$ 1,52. A receita de Data Center atingiu US$ 62,31 bilhões (alta de 75% ao ano), e a área de Data Center Networking saltou 263% ao ano para US$ 10,98 bilhões. A margem bruta da empresa está em 71,1%, a margem operacional em 65,62% e a margem de lucro líquido em expressivos 55,6% — números raros entre as maiores empresas do mundo. Para o próximo trimestre, a gestão previu US$ 78 bilhões em receita para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, representando uma taxa de crescimento acelerada de 77%.

Valor de Mercado: A Empresa Mais Valiosa do Planeta

A partir de maio de 2026, a NVIDIA tem uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 5,37 trilhões, tornando-a a empresa mais valiosa do mundo. Para ter ideia da velocidade desse crescimento: a valoração da empresa saltou de US$ 360 bilhões para quase US$ 5 trilhões desde o início de 2023. A ação subiu 83,39% nos últimos 12 meses e 15,39% no acumulado do ano. Nos últimos 5 anos, o crescimento médio anual composto (CAGR) da capitalização de mercado foi de 43,85%.

Os Grandes Parceiros e Contratos

A NVIDIA não depende de um único cliente. Sua base de clientes é formada pelas maiores empresas de tecnologia do mundo:

A NVIDIA assinou uma parceria de implantação de 10 gigawatts com a OpenAI, um acordo plurianual com a Meta cobrindo milhões de GPUs Blackwell e Rubin, além do contrato com a CoreWeave para 5 gigawatts de fábricas de IA até 2030. A Meta Platforms elevou o limite superior de sua orientação de capex de US$ 135 bilhões para US$ 145 bilhões. A Microsoft anunciou US$ 190 bilhões em capex planejado para o ano calendário de 2026, bem acima dos US$ 154 bilhões que Wall Street havia antecipado. Esses números indicam demanda crescente pelos chips da NVIDIA.

As Próximas Gerações de Chips: Blackwell e Vera Rubin

A posição da NVIDIA foi reforçada por sucessivas gerações de GPUs para data centers, incluindo a arquitetura Blackwell, introduzida em 2024, e sua sucessora, a Rubin, apresentada no início de 2026. Esses chips foram projetados para suportar treinamento e inferência de IA em larga escala e foram amplamente adotados pelos principais provedores de nuvem e desenvolvedores de IA. De acordo com a última atualização do CEO Jensen Huang, a plataforma Vera Rubin começará a ser enviada em quantidades comerciais no segundo semestre deste ano. A plataforma Vera Rubin promete uma redução de até 10x no custo de tokens de inferência em relação à Blackwell. A NVIDIA estima que venderá um total de US$ 1 trilhão em chips baseados nas arquiteturas Blackwell e Vera Rubin em 2026 e 2027.

Vale a Pena Investir Agora? O Que Dizem os Analistas

Visão Otimista (Bull Case)

Segundo 37 analistas, a NVIDIA tem uma classificação de consenso de "Compra" em 13 de maio de 2026, com um preço-alvo médio de US$ 273,43. Com um P/L forward de apenas 26 vezes e 20 vezes os lucros esperados para o próximo ano, a ação está atraente. Os ventos seculares favoráveis e o longo histórico de execução consistente da NVIDIA reforçam o argumento de compra. O CEO da Altimeter Capital, Brad Gerstner, diz que a NVIDIA será uma empresa de US$ 10 trilhões, e a analista Beth Kindig, do I/O Fund, prevê que ela valerá US$ 20 trilhões. Analistas consistentemente subestimaram o quanto os hyperscalers investiriam em infraestrutura de IA. Inicialmente, a estimativa dizia que o capex entre os cinco maiores hyperscalers aumentaria 19% em 2026, mas agora prevê alta de mais de 60% no ano. Os analistas do Morgan Stanley são particularmente otimistas: sua previsão mais recente mostra o capex dos cinco maiores hyperscalers crescendo quase 80% para US$ 805 bilhões em 2026, seguido por crescimento de 39% para US$ 1,1 trilhão em 2027.

Visão Cautelosa (Bear Case)

Nem todos os analistas são igualmente entusiastas. A Morningstar, por exemplo, tem uma postura mais conservadora: o analista da Morningstar considera que a NVDA está sendo negociada com um prêmio de 491% em relação ao seu preço justo estimado de US$ 166. A empresa tem um "economic moat" amplo, mas os grandes clientes têm incentivo para eventualmente diversificar e reduzir sua dependência da NVIDIA. Considerando os últimos 12 relatórios trimestrais, a ação da NVIDIA subiu apenas 5 vezes nos cinco pregões seguintes à divulgação dos resultados. E nos últimos quatro trimestres, avançou apenas uma vez após os anúncios.

Quando Comprar?

Isso significa que você não precisa correr para entrar na ação antes de uma data específica para se beneficiar da história da NVIDIA. Em vez disso, pode tomar seu tempo para comprar agora ou depois — em ambos os casos, pode ser um movimento vencedor no longo prazo, graças à força da empresa no mercado de IA em expansão.

Os Riscos: O que Pode Atrapalhar a NVIDIA?

Competição Crescente

Enquanto empresas mais antigas como AMD e Intel tentam usar suas próprias GPUs para rivalizar com a NVIDIA, startups como Cerebras e SambaNova desenvolveram arquiteturas de chips radicalmente diferentes que melhoram significativamente a eficiência do treinamento e da inferência de IA generativa. O argumento dessas novas empresas é que as GPUs não foram projetadas especificamente para IA e, portanto, novas arquiteturas de sistemas trarão grandes economias em energia e custo. A Amazon, por exemplo, revelou recentemente que seu negócio de chips registrou crescimento de 40% sequencial no primeiro trimestre de 2026. A taxa de receita anual do negócio de semicondutores da Amazon agora supera US$ 20 bilhões.

Regulação e Geopolítica

A dominância da NVIDIA gerou atenção regulatória. Em setembro de 2023, os escritórios franceses da NVIDIA foram alvo de uma investigação antitruste em computação em nuvem. Órgãos regulatórios na União Europeia, China e outros países também iniciaram exames detalhados das práticas da NVIDIA. A orientação de US$ 78 bilhões para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 exclui explicitamente qualquer receita de computação de data center da China — o que representa um risco considerável, dado o potencial de reabertura desse mercado.

O Risco de Bolha de IA

A ação está alta apenas 15% em 2026, em parte porque investidores temem que o ritmo atual de gastos com IA seja insustentável e questionam a durabilidade da dominância da NVIDIA no mercado de infraestrutura de IA.

Conclusão: O Veredicto dos Especialistas

A NVIDIA é, hoje, muito mais do que uma fabricante de chips. É a infraestrutura sobre a qual a revolução da IA está sendo construída. Sua receita saltou 65% para US$ 215 bilhões no último ano fiscal — um nível recorde — e o desempenho da ação subiu 1.300% nos últimos cinco anos. Os argumentos para investir são sólidos para o longo prazo: crescimento acelerado de receita, margens excepcionais, parceiros estratégicos entre as maiores empresas do mundo e uma vantagem competitiva em software (CUDA) que levou 20 anos para ser construída e é extremamente difícil de replicar. O lançamento da plataforma Vera Rubin no segundo semestre de 2026 pode ser o próximo grande catalisador.

Os riscos também existem: concorrência crescente, possível desaceleração nos gastos com IA, restrições geopolíticas e uma avaliação que já desconta muito crescimento futuro.

Escrito por: Equipe Editorial Saldo e Vida Conteúdo focado em transparência financeira e bem-estar integral.

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