Veja o que a OMS disse sobre o hantavírus após surto em cruzeiro
SAÚDE E BEM-ESTAR
5/11/20264 min ler


"Não é uma nova Covid" — porta-voz da organização tenta acalmar população enquanto número de casos e mortes sobe a bordo do navio MV Hondius
Alerta ativo: A OMS e a OPAS monitoram em tempo real o surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius. O navio segue para as Ilhas Canárias para desembarque sob protocolo sanitário.
O que a OMS declarou
A Organização Mundial da Saúde (OMS) quebrou o silêncio nesta sexta-feira para esclarecer o mundo sobre o surto de hantavírus que deixou passageiros e tripulantes do cruzeiro MV Hondius em estado de alerta. O porta-voz Christian Lindmeier garantiu que o vírus não é transmitido como um vírus respiratório comum — e foi enfático ao comparar o risco com o de outras doenças.
"Não é uma nova Covid. O risco para a população é absolutamente baixo. A capacidade de transmissão do hantavírus é inferior à do sarampo." — Christian Lindmeier, porta-voz da OMS.
A OMS esclareceu que a transmissão entre humanos, quando ocorre, é rara e se dá apenas em contato muito próximo — praticamente cara a cara — com exposição a saliva ou secreções respiratórias. A organização também informou que houve casos de pessoas que dividiram cabine no navio e não foram infectadas, o que demonstra que o risco real permanece baixo.
Caso do MV Hondius
O navio saiu da Argentina rumo a Cabo Verde com 147 passageiros quando o surto começou. Quatro pacientes seguem internados em hospitais na África do Sul, Holanda e Suíça. A OMS garantiu que nenhum dos que ainda estavam a bordo apresentava sintomas.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato com roedores silvestres infectados — especialmente por inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva desses animais. A transmissão pessoa a pessoa é excepcional e está associada ao vírus Andes, endêmico no Cone Sul da América Latina.
Em dezembro de 2025, a OPAS/OMS já havia emitido uma alerta epidemiológica após registrar aumento de casos nas Américas, principalmente no Cone Sul. Naquele ano, oito países registraram 229 casos confirmados e 59 mortes — com taxa de letalidade regional de 25,7%.
Sintomas: como reconhecer
Febre alta repentina; Dores musculares intensas; Fadiga extrema; Calafrios e dor de cabeça; Náuseas e vômitos; Dificuldade respiratória.
Os sintomas podem surgir entre 1 e 8 semanas após a exposição. Nos casos graves, a doença evolui para uma síndrome pulmonar severa com insuficiência respiratória aguda. Não há tratamento antiviral específico — o atendimento se baseia em suporte clínico.
O que dizem os especialistas brasileiros
"A hantavirose está muito relacionada à ação agrícola das pessoas, mexendo em paióis, carpindo. Não é comum o que aconteceu no cruzeiro. Essa transmissão entre pessoas é uma exceção."
Moacyr Silva Junior — Infectologista, Hospital Israelita Albert Einstein
"Embora a cepa andina tenha demonstrado possibilidade de transmissão entre pessoas em situações específicas, ela não apresenta, até o momento, a mesma capacidade de disseminação ampla observada no coronavírus. Todo vírus com potencial de mutação merece vigilância constante."
Sabrina Soares — Infectologista
"Mais do que gerar medo, o momento deve servir para ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e combate à desinformação."
Paula Pinhão — Diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida
O Brasil está em risco?
Situação no Brasil — Ministério da Saúde:
O Ministério da Saúde emitiu nota oficial confirmando que o surto no cruzeiro não representa risco direto para o Brasil. A principal razão é técnica: o genótipo Andes não circula no país. Os casos brasileiros são causados por nove outros genótipos de hantavírus, todos transmitidos exclusivamente por roedores — sem registro de transmissão entre humanos em território nacional.
Casos em 2026 (até maio) - 8 Casos.
Casos registrados em 2025 - 35 Casos.
Casos desde 1993 - 2.412 Casos.
Desde que a doença foi identificada no Brasil em 1993, o país acumulou 2.412 casos confirmados e 926 óbitos — uma taxa histórica de letalidade próxima a 38%. Os estados com maior incidência concentram-se no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, em especial em regiões agrícolas com presença de roedores silvestres como o rato-do-mato.
O surto de 2018 que mostrou o perigo do vírus Andes
A preocupação internacional com o vírus Andes não vem de agora. Em 2018 e 2019, um surto na Argentina mostrou o quão perigosa pode ser a transmissão interpessoal quando ela acontece em cadeia social. Uma única pessoa infectada por um roedor contaminou outras três em uma festa de aniversário — que depois participaram de eventos com grande público.
O resultado foi devastador: 34 infecções e 11 mortes. O episódio é considerado um dos mais graves surtos de transmissão pessoa a pessoa do vírus Andes já documentados e serve como referência para as autoridades de saúde na avaliação do caso atual do cruzeiro.
O hantavírus pode causar uma nova pandemia?
A avaliação da OMS e de especialistas é que não. O vírus se transmite de forma muito menos eficiente do que o coronavírus. A cepa Andes, a única com transmissão entre humanos, ainda exige contato prolongado e próximo — uma característica que dificulta a disseminação em larga escala.
Quanto tempo demora para os sintomas aparecerem?
O período de incubação varia de 1 a 8 semanas após a exposição, com média de 2 a 4 semanas. Por isso, passageiros do cruzeiro seguem sendo monitorados mesmo após o desembarque.
Existe vacina ou remédio para o hantavírus?
Não. Até o momento, não há vacina aprovada nem antiviral específico. O tratamento é de suporte clínico, com foco no manejo dos sintomas e, nos casos graves, suporte respiratório em UTI.
Como se proteger
Evite áreas com infestação de roedores, especialmente ambientes fechados e mal ventilados
Ao limpar locais com fezes ou ninhos de ratos, use máscara e luvas — nunca varra a seco
Armazene alimentos em recipientes fechados e mantenha o ambiente limpo
Se apresentar sintomas gripais após contato com roedores, procure atendimento médico imediatamente
Profissionais de saúde devem usar EPI adequado ao tratar casos suspeitos
Fontes: OMS, Agência Brasil (EBC), OPAS/OMS – Alerta Epidemiológico dezembro 2025, Renascença. Matéria atualizada em 10 de maio de 2026.
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